O spread bancário é um dos principais componentes da taxa de juro aplicada a um crédito habitação.
O spread é a margem de lucro do banco. É uma percentagem que o banco adiciona ao indexante (Euribor) para calcular a taxa de juro final que o cliente paga.
Taxa de Juro = Euribor + Spread
Exemplo prático:
- Euribor a 6 meses: 2.10%
- Spread: 0.75%
Taxa total (TAN): 2.85%
Quanto menor for o spread, menos juros se pagará ao longo do tempo.
Como negociar o spread junto do banco?
Os bancos analisam o risco do cliente e a relação global com a instituição. Para conseguir reduzir o spread, o objetivo é diminuir o risco percebido e aumentar a vinculação.
Aqui estão os principais pontos de negociação:
1. Apresentar boa taxa de esforço e estabilidade financeira
- Ter rendimentos estáveis e baixo endividamento.
- Quanto menor a taxa de esforço, mais margem o banco tem para reduzir o spread.
2. Ter capitais próprios elevados
- Fazer financiamento inferior a 80% do valor da casa, é visto como cliente de menor risco → spread mais baixo.
3. Relacionamento com o banco
Muitos bancos reduzem o spread se o cliente:
- Domiciliar o ordenado;
- Contratar cartões de crédito/débito;
- Fizer seguros de vida e multirriscos pelo banco;
- Aderir a produtos de poupança ou investimento.
Atenção: Nem sempre compensa aceitar todos os produtos — convém comparar o custo total.
4. Histórico de crédito impecável
- Sem incidentes bancários ou atrasos de pagamento.
- Boa pontuação no Mapa de Responsabilidades do Banco de Portugal.
5. Rever condições durante o contrato
Mesmo após a aprovação, é possível renegociar o spread se:
- Houver melhoria das suas condições financeiras;
- Reduzir o LTV (loan-to-value) ao amortizar parte do capital;
- Ou se surgirem melhores ofertas no mercado.
Atenção: Alguns bancos aplicam spreads entre 0,6% e 0.9% para clientes com bom perfil. Em casos de maior risco (alta taxa de esforço ou financiamento próximo de 100%), o spread pode subir para 1.5% ou mais.

